Repensando o ensino do Direito: Definindo o método socrático

Repensando o ensino do Direito: Definindo o método socrático

Um editorial publicado pelo jornal The New York Times, em 25 de novembro, abordou a questão da reforma do ensino jurídico norte-americano, o qual, conforme exposto no mencionado editorial, está em crise. Observa-se que, com a desaceleração econômica dos Estados Unidos, é grande o número dos novos bacharéis em Direito que se deparam com sérias dificuldades em encontrar empregos e que, por consequência, enfrentam dificuldades para pagar o financiamento estudantil.

Aponta-se como uma das causas desse desanimador quadro para os recém formados o vão que separa um bacharel em Direito, com o diploma em mãos, da efetiva prática no mundo da advocacia, justificada pela falta de preparo para atuar e atender às necessidades do mercado quando o que se tem para oferecer é apenas o ensinado na faculdade.

Seguindo o raciocínio, o referido editorial questiona o que e como se ensina nas faculdades de Direito norte-americanas. Nesse sentido afirma “in American law schools, the choice is not between teaching legal theory or practice; the task is to teach useful legal ideas and skills in more effective ways.”

Isso fez surgir um debate, promovido pelo jornal The New York Times, em que se discute se o método socrático ainda tem lugar no ensino nas faculdades de Direito. Os artigos resultantes dessa discussão serão objetos das próximas postagens, um de cada vez.

O primeiro deles que trazemos aqui é de autoria do professor da Duke University, Guy-Uriel Charles, intitulado “Defining What’s Socratic”. Charles considera não ser fácil avaliar a vitalidade do método socrático, pois, justifica, nem todos possuem a mesma ideia do que é este método. Sucintamente, procura descrever algumas das concepções correntes do que é ensinar através do método socrático.

Mostra-se um defensor da utilização de tal método principalmente para os acadêmicos do primeiro ano, devido à capacidade que tem de estimular o raciocínio e a formulação de novas questões, o que leva esses estudantes a tornarem-se pensadores independentes.

Eis o artigo:

It is not easy to evaluate the continued vitality of the Socratic method because we do not all mean the same thing when we use the term. For some, the Socratic method is defined in opposition to the lecture course. For others, it simply means a performative process by which the professor poses a series of unanswerable questions to a hapless student, the purpose of which is not substantive learning but humiliation and embarrassment. Even among professors supposedly using the same pedagogy, classes can be more or less Socratic. Some professors are Socratic in some classes and not in others. I rarely use the Socratic method in upper-level classes because the pedagogical purposes of upper-level classes are different from those of the first year.

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I employ a variety of pedagogical methods when I teach first-year students, but the core of my approach is roughly, though not stereotypically, Socratic. By Socratic, I mean a process by which I pose questions to one student at a time about the characteristics of a case, series of cases, or the area of law under examination. One of the great joys of teaching first-year law students is the privilege of bearing witness to the transformation of their minds during the course of the semester or year. You can almost see the metaphoric light bulbs flash as the students acquire a new set of critical thinking skills. In my view, the Socratic method is the most effective and efficient way of imparting these skills to first-year law students. Among other things, they learn to ask different types of questions; to ask questions in a different way; and to distinguish relevant from irrelevant facts. They learn to be self-sufficient independent thinkers. As a teacher, a law professor, I am always awed by this transformation, which I think is unique to the first year.

I am convinced that a critical component of the transformation is the process of intellectual engagement that is often described as the Socratic method. The case and question method of legal instructions should not be, and is rarely, the only tool in the law professor’s toolkit. But it continues to be useful, particularly in the first year. We can refine it, modify it, update it; but we should keep it.

fonte: jornal NYTimes, por Guy-Uriel Charles.

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