Repensando o ensino do Direito: Manter o método, não o enfoque

Repensando o ensino do Direito: Manter o método, não o enfoque

Um editorial publicado pelo jornal The New York Times, em 25 de novembro, abordou a questão da reforma do ensino jurídico norte-americano, o qual, conforme exposto no mencionado editorial, está em crise. Observa-se que, com a desaceleração econômica dos Estados Unidos, é grande o número dos novos bacharéis em Direito que se deparam com sérias dificuldades em encontrar empregos e que, por consequência, enfrentam dificuldades para pagar o financiamento estudantil.

Aponta-se como uma das causas desse desanimador quadro para os recém formados o vão que separa um bacharel em Direito, com o diploma em mãos, da efetiva prática no mundo da advocacia, justificada pela falta de preparo para atuar e atender às necessidades do mercado quando o que se tem para oferecer é apenas o ensinado na faculdade.

Seguindo o raciocínio, o referido editorial questiona o que e como se ensina nas faculdades de Direito norte-americanas. Nesse sentido afirma “in American law schools, the choice is not between teaching legal theory or practice; the task is to teach useful legal ideas and skills in more effective ways.”

Isso fez surgir um debate, promovido pelo jornal The New York Times, em que se discute se o método socrático ainda tem lugar no ensino nas faculdades de Direito. Os artigos resultantes dessa discussão serão objetos das próximas postagens, um de cada vez.

O segundo deles que trazemos aqui é de autoria do professor David B. Wilkins, intitulado “Keep de Method, Not the Focus”, no qual afirma que dentre todas as mudanças que devem ser realizadas no ensino jurídico norte-americano, eliminar o método socrático não é uma delas.

Porém, o professor Wilkins faz uma ressalva: “the real question, therefore, is not whether students should be taught to think critically and self-reflectively, but instead what they should be thinking critically about”, ou seja, a questão a ser analisada não é se o pensamento crítico e reflexivo do método socrático deve ser utilizado como método de ensino, mas sobre o que se deve pensar.

Eis o artigo:

Of all the important changes that ought to be made to legal education in the coming years — and let me be clear, I believe that there are many — eliminating the Socratic method is not one of them.

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By the Socratic method I simply mean the traditional process in which the professor engages students in an interactive classroom dialogue designed to get them to test their own assumptions and values and to see and critique alternative points of view. Of course, like any pedagogical tool, this kind of give and take can be done well or badly. And even when done well, the Socratic method can certainly be overused.Students need to learn how to collaborate as well as to criticize.

But for more than a century, the critical thinking skills inculcated by the Socratic method have been the great strength of American legal education. Over the last 25 years I have interviewed literally thousands of lawyers in virtually every kind of legal practice — including those who are not practicing law at all — and while many did not enjoy law school, the vast majority point to the critical thinking skills that they developed there as being the single most important and lasting value of their legal education. It is not surprising that country after country — and many other parts of the university — have abandoned the passive lecture method of instruction in favor of something like the participatory and interactive classroom dynamic developed in U.S. law schools.

The real question, therefore, is not whether students should be taught to think critically and self-reflectively, but instead what they should be thinking critically about. American law schools’ traditional focus on U.S. court decisions and legal doctrine no longer adequately reflects the increasing global complexity of law, legal problems and legal institutions — including the institutions in which lawyers themselves work and build careers. It is this real-world complexity that professors need to get students to think critically about through Socratic dialogue and other methods if we want to help them to build successful, productive and socially responsible careers in the 21st century.

fonte: jornal NYTimes, por David B. Wilkins.

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