Cotas nas universidades federais: justiça ou injustiça social?

Cotas nas universidades federais: justiça ou injustiça social?

Eis a reportagem da Universia:

O Congresso Nacional aprovou, na última terça-feira (7), um projeto de lei que obriga todas as universidades e institutos federais de ensino superior, além dos institutos federais de nível médio, a instituir a reserva de 50% do total de vagas do vestibular a estudantes vindos de escola pública. O projeto de lei será encaminhado para presidente da República, Dilma Rousseff, que terá 15 dias para realizar a sanção.

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A nova lei pode provocar muitas mudanças nos âmbitos da sociedade e da educação. As opiniões ainda estão divididas entre ser ou não a favor da adoção dessas novas medidas, mas a grande questão é: o que isso vai afetar na educação brasileira? Muitos educadores e reitores têm discutido a proposta do governo, mas nem todos são a favor das novas medidas.

Para a presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Helena Nader, uma legislação imposta sobre a autonomia universitária não é a solução para os problemas enfrentados pela educação. A presidente se diz a favor dos programas de ações afirmativas, já que o país tem uma grande dívida histórica com a sociedade, porém, ela enfatiza que a nova lei ignora todas as iniciativas que estão em andamento nas universidades federais. “Não consigo entender um projeto dessa magnitude ter sido aprovado por uma votação simbólica e como medida emergencial”, afirma.

A presidente explica que a sociedade é quem mais perde com a imposição. “A universidade não poderá opinar na educação, o que é um desrespeito com toda a sociedade. Por que alguns têm que prestar exames e outros não?”, questiona. Além disso, ela se preocupa com o fato da possível acomodação gerada nas escolas com a nova lei. Com as vagas reservadas, e o aumento de jovens no Ensino Superior, o governo pode alegar que não há necessidade de melhorar a educação.

De acordo com a professora doutora em educação da PUC- São Paulo, Ana C. G. Abreu Souza, é impossível não enxergar a diferença das oportunidades recebidas pelas pessoas que são provenientes de escolas públicas em relação aos estudantes das escolas particulares. A doutora é a favor das cotas e acrescenta que precisamos compreender a dívida histórica da população brasileira com a educação para opinar sobre a lei. “Certamente teremos pressões, e o caminho é a qualidade da educação, até porque se tivéssemos qualidade no ensino de todos os brasileiros as cotas não existiriam”, explica.

A doutora afirma que com as cotas aumentamos as possibilidades de estudo a grupos que foram excluídos por centenas de anos em nosso país. “Não podemos analisar as cotas olhando apenas para o ano de 2012, temos que olhar a construção de oportunidades estabelecidas desde o ‘descobrimento’ do Brasil. Eu sou a favor do povo brasileiro e da educação”, afirma.

Para o estudante de Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia da UNIFAL (Universidade Federal de Alfenas) Leandro Souza, a distinção entre alunos vindos de escolas privadas e públicas é muito forte na universidade. Ele afirma que os estudantes das escolas públicas têm muito mais dificuldade para acompanhar o ritmo das universidades públicas, não por falta de capacidade, mas sim pelo péssimo ensino que tiveram desde o começo. “Se é um país de todos, que então se estabeleça um ensino com qualidade para todos, desde o começo da vida estudantil e não somente a nível acadêmico”, diz.

Concordando com o colega de graduação, Renan Freitas é totalmente contra a nova lei. Para ele as políticas de cotas evidenciam uma triste realidade da educação brasileira. “Não adianta ter uma universidade de ponta se o ensino de base não presta”, afirma. O universitário acredita que com as cotas o governo quer aumentar o volume de estudantes nas universidades, e camuflar uma lacuna educacional que já se estabelece há muito tempo. Ele acrescenta ainda que não cabe ao ensino superior atender a demanda dos estudantes mal preparados nos ensinos fundamental e médio. “Para que o benefício realmente aconteça não se deve facilitar o acesso dos estudantes da rede pública às universidades; a solução acontecerá quando o governo promover escolas de base com qualidade suficiente”, explica.

fonte: Universia

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