Busca no facebook e violação ao direito à privacidade

Busca no facebook e violação ao direito à privacidade

Em artigo publicado no site Folha de São Paulo, Fernanda Ezabella comenta a nova ferramenta de busca do Facebook associada à violação ao direito à privacidade.

Eis o artigo:

Com tanta informação pessoal gratuita no Facebook, é difícil acreditar que uma ferramenta de busca razoável tenha demorado tanto para chegar ao site. Depois de uma semana testando a Busca Social, fica a sensação de que agora, finalmente, podemos “dar um Google” nos amigos (embora a rede de Mark Zuckerberg use o Bing).

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Não faltaram surpresas, a começar por mim mesma. Ao procurar fotos em que apareço, fiquei chocada com a quantidade de imagens que surgiram. Encontrei diversas cenas que havia banido da minha Linha do Tempo e duas de 2011 das quais havia até retirado a marcação (tag).

É certo que as questões de privacidade vão se agravar. Quem nunca olhou as configurações do site deve fazer isso agora, especialmente enquanto a Busca Social ainda está em fase experimental, só em inglês e para uma parte pequena dos usuários.

Enquanto usuários do Facebook continuarem a se mostrar sem medo ao mundo, vai ser possível achar rapidamente quem foi ao Japão (para, por exemplo, pedir dicas de viagem) e quem gosta de “Breaking Bad” (para arrumar companhia para ver e discutir a série de TV).

Nas buscas mais simples, dá para checar amigos que estão solteiros. Nas mais sofisticadas, também os amigos solteiros daquele meu amigo “x” que trabalham na empresa “y”, moram na cidade “z” e nasceram no ano “w”.

As possibilidades parecem infinitas, mas nem sempre os resultados são perfeitos, como quando tento localizar fotos de amigos tiradas em outros países. Uma foto publicada ontem em Munique não aparece na procura que faço hoje por imagens tiradas na Alemanha. O mesmo acontece com outros países.

UNIVERSO AO MEU REDOR

O novo serviço permite também buscar quem não conheço, mas que, de alguma forma, está perto de mim: trabalha na mesma empresa ou numa rival, frequenta o mesmo clube ou mora no bairro. Quem, por exemplo, mora perto de mim e curte a NRA, a associação nacional de rifle? Cinco sujeitos que nunca vi na vida (e nem quero ver).

Há ainda linhas tênues. Por exemplo, ao procurar amigos gays, a ferramenta sugere mudar para “amigos que são homens interessados em homens”. É impreciso, afinal não está claro que esse interesse seja sexual. Ou, pelo menos, foi o que pensei ao encontrar amigos supostamente héteros nos resultados.

Fonte: Folha de S. Paulo, por Fernanda Ezabella.

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