Mesmo as pessoas famosas devem gozar de algum direito à privacidade

Mesmo as pessoas famosas devem gozar de algum direito à privacidade

Em texto publicado no site Blue Bus, Richard Wald comenta sobre o grande escândalo do vazamento dos emails do ex-presidente George Bush e sua família.

Traduzido por Jô Amado, saiu esta semana no Observatorio da Imprensa. Usa informaçoes de Paul Farhi em ‘Publication of hacked George W. Bush emails raises journalism ethics questions‘, no Washington Post.

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“Pelas velhas regras do jornalismo, as mensagens eletrônicas particulares enviadas por George W. Bush à sua família talvez nunca fossem publicadas – com certeza, jamais sem sua permissao. A maioria das organizaçoes de mídia teria pensado duas vezes antes de publicar mensagens pessoais que eram, essencialmente, tesouros roubados”.

“Mas isso era antigamente. As comunicaçoes particulares e fotos do ex-presidente americano enviadas a membros da família foram bem longe na internet, na semana passada, quando foram divulgadas pelo site Smoking Gun, que se especializou em desenterrar assuntos criminais e legais. O Smoking Gun divulgou a correspondência pessoal da família Bush obtida por um hacker que se identificou apenas como Guccifer. Seguiu-se uma gigantesca, previsível e quase instantânea onda de disseminaçao das informaçoes privadas”.

“Poderia seguir-se uma pergunta igualmente previsível – ainda existem padroes a serem respeitados? Das revelaçoes feitas pelo site TMZ sobre celebridades mal comportadas às provas de estudantes de ensino médio pipocando em algum fórum local, qualquer assunto que seja excitante, tabu ou pessoal pode parecer razoável para alguém (……) A ética é uma questao complicada em uma época em que virtualmente qualquer indivíduo pode publicar ou transmitir qualquer informaçao, diz Stephen Ward, diretor do Centro pela Ética no Jornalismo, da Universidade de Wisconsin, em Madison”.

“Eu já disse que a ética da mídia já nao é somente para a mídia”, afirma – “É para todos.”

“A matéria do Smoking Gun é, em principio, uma reportagem sobre a quebra de segurança eletrônica envolvendo a família Bush. O site informa que o material invadido pelo hacker incluía listas confidenciais de endereços residenciais, números de telefones celulares e emails enviados as dúzias de membros da família Bush, incluindo ambos os ex-presidentes” – “O site nao revelou detalhes sobre as listas. Fundado em 1997 e de propriedade da Time Warner – foi além, no entanto, de uma mera descriçao da profundidade com que o hacker penetrara nos assuntos pessoais da família. Foram publicadas fotos íntimas dos Bush, como uma imagem de George H.W. Bush sentado em uma cama de hospital. A matéria também divulgou imagens de pinturas feitas por Bush filho enviadas à irmã, Dorothy, que incluíam um homem no chuveiro e outro numa banheira”.

“O Washington Post noticiou a matéria, mas dispensou a prática habitual de criar um link para o artigo original e nao republicou as fotos. O New York Times pareceu ignorar o assunto por completo por boa parte da 6a feira. A única mençao foi feita num blog de arte no final do dia, abordando os talentos de George W. Bush como pintor”.

Fonte: Blue Bus, por Julio Hungria.

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