“Suprema Corte dos EUA está defasada no debate sobre casamento gay”, artigo de Maureen Dowd

“Suprema Corte dos EUA está defasada no debate sobre casamento gay”, artigo de Maureen Dowd

Em artigo publicado no site The New York Times e reproduzido pelo site Instituto Humanitas Unisinos, Maureen Dowd comenta sobre o casamento entre homossexuais.

Eis o artigona íntegra:

Eu estou preocupada com a Suprema Corte.

Eu estou preocupada com a forma como os ministros podem discutir apropriadamente o casamento de mesmo sexo quando alguns nem mesmo parecem perceber que a maioria dos americanos agora usa a palavra “gay” em vez de “homossexual”; quando o ministro-chefe John Roberts pensa que os gays estão apenas preocupados com o casamento como um “rótulo” desejável; e quando o ministro Samuel Alito compara o casamento gay a celulares.

Os Nove estão de volta ruminando em seus aposentos da srta. Havisham, desconcertantemente desconectados. Em seu zelo para assustar as pessoas sobre o “possível efeito pernicioso” da adoção por pais gays, o ministro Antonin Scalia não parece plenamente ciente de que gays e lésbicas podem ter seus próprios filhos biológicos.

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Max Mutchnick, que criou e escreveu a série “Will & Grace” com David Kohan, também está preocupado. Sua série marcante se tornou um marco cultural durante os procedimentos legais de contestação da Proposta 8. Quando estive na Califórnia cobrindo aquele julgamento em 2010, eu passei algum tempo em Los Angeles com Max, seu marido, Erik Hyman, um advogado de entretenimento, e Evan e Rose, as encantadoras filhas gêmeas deles, que foram dadas à luz por uma mãe de aluguel. (Em um feito biológico incrível, ambos os homens fertilizaram os óvulos, de modo que uma filha parece com Erik e a outra com Max.)

Erik me disse na época que fazer os votos diante de um rabino e da família deles (duas semanas antes da aprovação da Proposta 8) fez com que ele se sentisse diferente. “Agora eu estou de fato casado”, ele disse, “e me deixa maluco quando o outro lado fala na ‘santidade do casamento’. Eu estou comprometido com meu cônjuge. Nós somos fiéis um ao outro. Nós estamos criando meninas gêmeas juntos. É profundamente ofensivo ouvir alguém dizer que o que estamos fazendo é roubar a ‘santidade’ do que eles estão fazendo, como se minha própria existência fosse profana”.

No domingo, em uma pausa em meio a levar Evan e Rose a um parque em West Hollywood e uma montagem teatral de “A Bela e a Fera” no Pantages, Max me enviou um e-mail sobre quão desanimado se sentiu após os argumentos da semana passada na Suprema Corte. “Eu sou igual aos outros pais neste parque: óculos, boné, o ‘New York Times’ dobrado no quarto, ignorando minhas filhas brincando trajando Ralph Lauren. Mas a diferença é que todo dia eu abro o jornal e leio sobre o fato de que sou uma espécie de coisa vulgar, segundo muita gente. É muito estranho conviver com isso. Eu estou cansado disso.”

Eu pedi ao Max para elaborar. Foi isto o que ele escreveu:

Um dos meus episódios favoritos de “Will & Grace” foi “Homo for the Holidays”, a história de Jack assumindo para sua mãe. A turma descobre que Jack não é o garoto propaganda “assumido e orgulhoso” que finge ser, mas, na verdade, vinha dizendo para sua mãe que Grace era sua ex-namorada. Will confronta seu melhor amigo a respeito de sua mentira e pergunta a Jack: “Você ainda não se cansou?”

Eu acredito que se você for um homossexual de certa idade ou nascido no bloco errado (dos Estados Unidos), seus primeiros passos estão inseparavelmente mesclados com a mentira. Isso torna a jornada da vida muito mais pesada. Como Jack, eu acabei me cansando de mentir e assumi para todos. Mas agora eu me vejo cansado de dizer a verdade.

Eu estou cansada de ser um membro do último grupo na América sujeito a discriminação oficial. Se o movimento dos direitos civis gays fosse uma comédia musical, ela seria intitulada “A Funny Thing Happened on the Way to the Supreme Court” (uma menção à peça e filme “A Funny Thing Happened on the Way to the Forum“, “Um Escravo das Arábias em Roma”).

Mais e mais pessoas acham errado odiar os gays. O apoio ao casamento de mesmo sexo atualmente supera a oposição. Segundo Rick Santorum, isso tudo se deve a “Will & Grace“. (Obrigado, querido. As vendas de DVDs estão em alta!) Mas, se os mocinhos estão do meu lado, por que me sinto tão esgotado? Eu vivo em um lugar onde todos os homens são criados iguais, mas, por algum motivo, eu não sou merecedor dos mesmos direitos. Será que minha lição deve ser: eu não sou um homem? É como se a Suprema Corte estivesse OK com essa noção. A Suprema Corte está falando parte da mesma linguagem que era usada antes de Stonewall.

O ministro Alito levantou a questão sobre se não seria cedo demais para permitir o casamento entre gays. É melhor continuar fazendo o que é errado até que as pessoas aceitem e estejam prontas para fazer o que é certo? Scalia usa a palavra “homossexual” da forma como George Wallace usava a palavra “negro”. Há um tom nisso. É humilhante e doloroso. Eu não acho que estou sendo extremamente sensível, apenas vigilante. Eu já tive que ser vigilante por temer que as pessoas pudessem descobrir o que eu sou. Agora tenho que ser vigilante por temor de ser descriminado pelo que sou. Naquela época, como agora, é uma defesa contra o perigo.

Não é de se estranhar que eu esteja cansada. Eu estou comprometida a travar esta batalha até que a guerra seja vencida. Eu devo isso à minha criança gay interior e às minhas filhas. Como disse o dr. King, “o arco do universo moral é longo, mas ele se curva para a justiça”. É o segmento longo do arco que me incomoda.

Fonte: Portal Uol, via IHU.

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