Sobre “a revolta das passagens”, o que Castells teria a dizer?

Sobre “a revolta das passagens”, o que Castells teria a dizer?

Para entender movimentos como este que chegou às ruas brasileiras é necessário recorrer ao sociólogo espanhol Manuel Castells. Na Constituição Federal comentada, referidas ideias também são examinadas, quanto à diferenciação entre democracia dos partidos e democracia das pessoas. A respeito, confira-se o que Pedro Doria, editor executivo das plataformas digitas de O Globo, em texto publicado aqui e que segue abaixo:

Hora de recorrer ao sociólogo espanhol Manuel Castells, um nome que anda incrivelmente ausente de todas as análises até agora. Nos EUA, Occupy Wall Street, na Espanha, Indignados. No Egito ou Tunísia, Primavera Árabe. Em inúmeros outros lugares do mundo, com outros nomes. A primeira característica destes movimentos é que começam na internet e depois se movem para o cenário urbano. No mundo real, celulares à mão, repetem a estrutura das redes sociais para se informar. A informação e os acordos são construídos assim, em rede. Lição número um: não há líderes.

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Insatisfação difusa e generalizada

Outra característica: não há uma pauta clara nos protestos. Pertenço à geração que pintou a c ara para derrubar um presidente da República. Nós tínhamos um desejo claro que podia ser manifestado em um slogan: Fora Collor. Eles, não. Porque o que os move é uma insatisfação difusa e generalizada. Um não sentir-se representado. A impressão de que as prioridades dos governantes, estejam na situação ou na oposição, não são as suas.

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Eles têm razão. Nas últimas duas décadas, congelados entre a discussão macroeconômica e seus projetos de poder, políticos abriram mão de encarar no Parlamento temas sociais como o casamento gay e o aborto. Temas como as necessárias reformas política e fiscal. O país precisa de uma revolução na infraestrutura de transporte e energia. Saúde e educação não são questões resolvidas. E a classe média, hoje, é maior. Classe média, diferentemente do que sugerem alguns reacionários de esquerda, é quem cobra na sociedade. Não se trata de fazer aqui um discurso anti-político, apenas o de constatar que a política brasileira está inoperante.

Segundo Castells, movimentos como este que chegou às ruas brasileiras reiteram para a sociedade que o sistema partidário é incapaz de responder os dilemas do país. Na Espanha, não é todo mundo que protesta. Mas 70% dos espanhóis apoiam. A circunstância econômica brasileira é distinta.

Aqui há pleno emprego, um difusor potente de insatisfação. Mas a insatisfação está ali na esquina. Mais um ano de pibinho, pode estourar. Se é que já não estourou.

Fonte: O Globo.
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