O direito à igualdade como o direito à felicidade”, entrevista com Roberto Romano publicada na revista IHU On-Line

IHU On-line, por Márcia Junges e Ricardo Machado

Roberto Romano, professor de Filosofia na Universidade Estadual de Campinas, falou, em entrevista por e-mail à IHU On-Line, sobre a definição do conceito de igualdade.

De acordo com Romano, o movimento filosófico que mais contribuiu para a noção moderna de igualdade encontra-se nas Luzes do século XVII. “A corrente de pensamento que mais obstáculos apresentou às teses igualitárias é o romantismo, sobretudo na sua vertente conservadora liderada por Edmund Burke, Novalis, os irmãos Schlegel e outros”, aponta. “O aristocratismo romântico nega a igualização em todos os sentidos, sobretudo na política”, complementa.

Segundo o professor, há uma dificuldade de se enunciar um conceito clássico da igualdade, pois a noção variou muito, com os tempos, de acordo com a hegemonia social, política, econômica, filosófica e mesmo teológica que balizaram a formulação do problema.

Para conceituar igualdade, o professor cita o verbete “igualdade”, da Encyclopédie coordenada por Denis Diderot: “uma semelhança de quantidade descoberta pela operação do intelecto. Assim, quando o entendimento mede o mais e o menos de dois objetos, acha que a mesma ideia que lhe fornece o mais ou o menos de um, ou seja, os graus de sua quantidade, lhe manifesta também o mais e o menos, ou seja, a quantidade do outro. Tal conformidade de ideias das quais o intelecto se utiliza para medi-las faz conceder a esses dois objetos o nome de iguais. Mas não se deve confundir a relação de igualdade com a semelhança e a proporção”.

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Romano acredita que Karl Marx  determinou muito bem o problema da medida e da igualdade no modelo de texto analítico que é a Crítica do Programa de Gotha . “Marx toma o problema no seu ponto lógico e ontológico mais agudo: definir a igualdade, segundo padrões abstratos (como é o caso do direito burguês) significa cair na armadilha da classe dominante. Assim, exigir ‘igualdade’ sem questionar suas bases é limitar de forma grave o escopo de libertação humana no mundo do mercado, lugar da igualização abstrata de tudo e de todos. Estranho modo de pensar para um pensador dito ‘coletivista’! Quase sempre se ‘esquece’ que Marx valoriza o indivíduo acima de tudo e que, justamente, o pior aspecto da sociedade mercadológica que reduz os corpos humanos à força igual de trabalho é o fato de que nela somem as individualidades. João não é mais João, mas simples operador mecânico a serviço do capital, integrado à força de trabalho, mercadoria a ser negociada segundo os princípios da igualdade quantitativamente considerada” destaca o professor.

Ainda segundo Romano, a liberdade seria a flor do sistema democrático, exigindo as duas outras palavras da Revolução Francesa, a igualdade e a fraternidade como sua raiz e caule.

O professor destaca, ainda, o direito à felicidade. “Num mundo desgraçado onde reina o frio lucro e onde o genocídio é constante, parece tolice defender o direito à felicidade. Se escutarmos Spinoza , o mundo político onde reina a infelicidade, longe de ser uma Civitas, é um hospício de loucos”, explica.

 

Por fim, ao ser questionado sobre a obra de  Thomas Piketty, Romano justifica a agitação por ela causada como fruto da nova visão que o autor faz do mundo capitalista, uma visão sem a voracidade dos que defendem apenas e tão somente interesses privados.

Leia a entrevista na íntegra aqui.

Fonte: IHU On-line

 

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