Processo eletrônico faz mal à saúde, dizem magistrados

A Associação de Juízes Federais do Rio Grande do Sul (Ajufergs) realizou pesquisa sobre processo eletrônico e saúde dos magistrados federais no estado. Foram ouvidos 92 juízes e a principal constatação do estudo foi que quase 80% deles consideram que houve piora em sua saúde e bem-estar em decorrência do trabalho, contra apenas 1% que considera ter havido melhoras em sua saúde após a virtualização processual.

Além disso, outra questão de destaque é a queda na satisfação com o software. A taxa de satisfação com o Eproc1 é de 58%, enquanto que com o Eproc2 é consideravelmente menor, de apenas 19%. Como também, quase 70% dos juízes consideram que o Eproc2 demanda mais tempo e esforço, dificultando seu trabalho.

Como informa a reportagem abaixo, em trecho aqui transcrito,” há dois grandes problemas com o processo eletrônico. O primeiro é a visualização das páginas dos processos, feita por meio de uma tela de computador, que exige um clique a cada mudança de página. Em um processo com 20 volumes, de acordo com Leal, a tarefa se torna exaustiva. O segundo problema é o sistema de assinatura digital, que exige, segundo ele, 11 cliques.”, na opinião do juiz federal Cândido Leal, coordenador do estudo.

Publicado originalmente no Conjur, como segue:

Os juízes federais do Rio Grande do Sul estão preocupados com os efeitos do processo eletrônico em sua saúde. Do início do ano passado para cá, quando foi instalado o primeiro software por lá, quase 80% deles perceberam piora em sua saúde e bem-estar em decorrência do trabalho. E pior: 95% dos magistrados federais gaúchos acham que daqui pra frente o processo eletrônico vai piorar ainda mais sua saúde.

As informações são de pesquisa conduzida pela Associação de Juízes Federais do Rio Grande do Sul (Ajufergs). O estudo ouviu 92 juízes, entre 23 de maio e 8 de junho deste ano, sobre as condições de trabalho com o advento do processo eletrônico. O levantamento foi enviado, em papel, a todos os 167 magistrados ativos da Ajufergs, e teve uma taxa de resposta de 55%.

Dos juízes ouvidos, 20% disseram não sentir nenhuma mudança em seu trabalho, enquanto apenas 1% acha que houve melhora. Entre os problemas relatados, 73% reclamaram da visão e 54% de dores físicas. Quarenta e sete por cento se referiram a cansaço, dor de cabeça ou problemas no sono.

Entre os problemas de visão, 86% afirmaram sentir dificuldades de enxergar, como ardência ou cansaço nos olhos e aumento de grau nos óculos. Os que falaram em dores físicas, 50% sentiram as mãos, os dedos e os punhos, 47% reclamaram de dores nas costas, 41%, pescoço, e 37%, nos ombros.

Quanto à mente e bem-estar, 44% relataram cansaço, stress, nervosismo ou preocupação excessiva, 33% falaram de dores de cabeça e 14% disseram sofrer de ansiedade ou depressão.

Movimentos repetitivos
Outra reclamação dos juízes federais do Rio Grande do Sul é sobre as mudanças no processo eletrônico na Justiça Federal da 4ª Região. Enquanto a taxa de satisfação com a primeira versão do software, o Eproc1, é de 58%, a do Eproc2 é de apenas 19%. Os magistrados reclamam de não terem sido consultados sobre uma mudança que acabou por atrapalhar seu trabaho. Quase 70% dos juízes acham que o Eproc2 dificultou seu trabalho, pois exige mais tempo e esforço.

Na opinião do coordenador do estudo, juiz federal Cândido Leal, há dois grandes problemas com o processo eletrônico. O primeiro é a visualização das páginas dos processos, feita por meio de uma tela de computador, que exige um clique a cada mudança de página. Em um processo com 20 volumes, de acordo com Leal, a tarefa se torna exaustiva. O segundo problema é o sistema de assinatura digital, que exige, segundo ele, 11 cliques.

Outra queixa é o sedentarismo a que o computador força os juízes. Leal relata que, com os processos em papel, os juízes são obrigados a levantar e transportar os volumes das estantes até suas mesas. Com o computador, não é mais necessário sair da cadeira. Ao mesmo tempo em que isso aumenta a produtividade, é um agravante para problemas físicos relacionados a postura e movimentos repetitivos.

Leal também aponta para decisões tomadas à revelia dos juízes. O coordenador da pesquisa conta que não houve consulta sobre o que deveria ter no novo software, ou o que os novos equipamentos precisam. Reflexo disso está no relatório: 82% dos magistrados estão insatisfeitos com a conexão e estabilidade do sistema e 43% estão insatisfeitos com os equipamentos físicos, os hardware. Por conta disso, 98% dos juízes federais gaúchos disseram que deveriam — e devem — ter sido consultados sobre as decisões de informática.

Clique aqui para ler a pesquisa.

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Um comentário em “Processo eletrônico faz mal à saúde, dizem magistrados

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  1. O grande problema do processo eletrônico na atualidade é a falta de padronização. A Justiça Federal 4ª Região usa um tipo, a da 1ª Região esta implantando outro, os juizados especiais Estaduais usam o Projudi, a Justiça do trabalho outro tipo, sem falar do STJ e STF. Se o Magistrado se incomoda com o volume de cliques, imagine o Advogado que tem que conhecer todos os sistemas? O e-processo é uma realidade que por vários motivos não ira deixar de existir, no entanto, repito, deve haver a padronização dos sistemas, pois com certeza já existem sistemas mais fáceis.
    Quanto a questão do sedentarismo, isso é uma polêmica que se encontra em dois polos: se a informática causa sedentarismo, carregar processo prejudica a saúde com acáros e problemas de coluna.

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